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Superbactéria é a próxima grande ameaça: há microrganismos resistentes a todos os antibióticos

Superbactéria é a próxima grande ameaça: há microrganismos resistentes a todos os antibióticos

Numa altura em que o Mundo ainda está concentrado no combate a um vírus, chegam dados de que a próxima grande ameaça à saúde terá a forma de uma superbactéria (ou mais). José Melo Cristino, director do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, avança ao jornal Expresso que «o que aconteceu com o novo coronavírus também pode acontecer com uma bactéria».

Segundo o responsável, «nunca podemos dizer não em biologia» e já aparecem, hoje, «in vitro bactérias para as quais não há antibiótico». E José de Melo Cristino é claro: «Ainda é raro, mas existe. Não é uma hipótese, é uma pandemia latente.»

Infecções com superbactérias têm sido detectados em laboratórios internacionais e, embora a resposta in vivo seja diferente do resultado in vitro, o diretor do Serviço de Patologia Clínica sublinha que «se a bactéria resiste a tudo em laboratório também será assim com o doente».

Para já, indica a mesma publicação, na origem dos casos de resistência total estão duas bactérias que podem ser encontradas em hospitais de todo o Mundo. Klebsiella pneumoniae e a pseudomonas aeruginosa eram já conhecidas pela sua resistência e por provocarem surtos entre doentes internados, mas agora estão a evoluir para um novo estado.

Segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS), 11% das klebsiellas e 20% das pseudomonas são multirresistentes, fazendo com que Portugal seja um dos países onde o risco é maior. João Paulo Gomes, investigador na área da genómica e bioinformática do Instituto Ricardo Jorge, sublinha que «todos os meses temos um surto hospitalar, nem que seja com meia dúzia de doentes». Explica ainda, citado pelo Expresso, que «as superbactérias são criadas nos ambientes onde são sujeitas a mais antibióticos, os hospitais».

Já Artur Paiva, director do Programa Nacional de Prevenção e Controlo de Infecções e das Resistência aos Antimicrobianos da DGS, dá conta de que as bactérias estão a utilizar dois mecanismos para resistirem: um adaptativo e outro mutacional, transmissível, do próprio genoma para produzirem uma enzima para inibir o antibiótico. Na origem do problema estarão a excessiva antibioterapia e as infecções nos hospitais.

No entanto, é preciso ter atenção também a outros ambientes. Apesar de os hospitais serem mais propícios, existe ainda um risco de transmissão para o exterior, tal como explica José Melo Cristino: «Estas bactérias não estão disseminadas na comunidade, mas não estão confinadas aos hospitais. Também são encontradas nos lares, onde há mais doentes e infecções.»

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